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Campanha Nacional | 01/06/2026
Conferência dos Bancários debate campanha salarial, eleições e desafios do mundo do trabalho

No primeiro dia da 28ª Conferência Estadual dos Bancários e Bancárias do Rio Grande do Sul, sábado(30/05), trabalhadores do ramo financeiro de diferentes regiões do estado, dirigentes sindicais e lideranças políticas reuniram-se para debater os rumos da Campanha Nacional dos Bancários e os principais desafios enfrentados pela categoria. Realizado no Centro de Eventos da Igreja Pompéia, o encontro serviu para construir propostas que serão levadas à Conferência Nacional e foi marcado por discussões sobre redução da jornada de trabalho, saúde dos trabalhadores, impactos das novas tecnologias, defesa dos bancos públicos e a importância das eleições de 2026 para a preservação e ampliação dos direitos da classe trabalhadora. 

Mobilização e fortalecimento 

Na abertura dos debates, dirigentes destacaram a necessidade de construir uma campanha salarial forte e capaz de dialogar com os desafios atuais da categoria. O diretor de Comunicação da Fetrafi-RS, Juberlei Bacelo, afirmou que o movimento sindical precisa ampliar a mobilização dos bancários e atualizar suas estratégias de negociação diante das mudanças ocorridas no sistema financeiro. Segundo ele, a campanha deve combinar a defesa das reivindicações econômicas com a discussão sobre os rumos políticos do País e seus reflexos sobre os direitos trabalhistas. 

Bacelo ressaltou que conquistas recentes da classe trabalhadora, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e os avanços na discussão sobre redução da jornada de trabalho, foram resultado da mobilização popular. "Os bancários sempre foram referência para a classe trabalhadora e precisam seguir cumprindo esse papel na defesa de um País mais justo", ressaltou.

 

  

 

Renovação sindical 

A necessidade de fortalecer a organização sindical e ampliar a participação dos jovens trabalhadores foi destacada pelo conselheiro Fiscal da Fetrafi-RS, Carlos Augusto Rocha. Para tal, o dirigente defendeu a adoção de novas estratégias de diálogo com os bancários que ingressaram recentemente na categoria. 

Rocha avaliou que o modelo atual das campanhas salariais deve ser repensado para manter os trabalhadores mobilizados de forma permanente. Segundo ele, muitos direitos considerados naturais pelos bancários, como a jornada de seis horas, o vale-alimentação e outras cláusulas da convenção coletiva, foram conquistados por meio de décadas de organização e luta. "A categoria precisa conhecer sua história para compreender o valor das conquistas que possui", concluiu.

Conjuntura política

Fábio Alves, diretor da Fetrafi-RS, defendeu que o debate no movimento sindical bancário vá além da construção da pauta salarial, incorporando uma reflexão mais ampla sobre a conjuntura política nacional e estadual. Para ele, a categoria enfrenta desafios que não se restringem às negociações com os bancos, mas envolvem também a defesa dos direitos sociais e trabalhistas diante das disputas políticas em curso. "A campanha salarial não pode ficar restrita à pauta econômica. Ela precisa dialogar com os desafios políticos e sociais que os trabalhadores enfrentam", enfatizou.

Alves observou que períodos de inflação mais baixa tendem a reduzir o engajamento dos trabalhadores em pautas exclusivamente econômicas. Por isso, argumentou que a campanha precisa abordar questões como saúde mental, condições de trabalho, valorização dos bancos públicos e o impacto do custo de vida sobre a renda dos bancários. Também defendeu a aproximação da juventude com o movimento sindical e a valorização do trabalho de base junto à categoria. 

 

  

 

Defesa dos bancos públicos

A preservação das instituições financeiras públicas apareceu como um dos principais consensos do encontro. Edson Rocha, destacou que a defesa do Banrisul deve permanecer como uma das prioridades da categoria no Rio Grande do Sul, uma vez que o Banco desempenha papel estratégico para o desenvolvimento econômico do estado e para a prestação de serviços à população. 

Rocha também ressaltou a importância das mesas específicas de negociação da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, defendendo o fortalecimento desses espaços e a valorização dos trabalhadores das instituições públicas. 

 

  

 

Transformações tecnológicas e futuro do trabalho

Ao abordar as mudanças provocadas pela digitalização do setor financeiro e pela expansão das novas tecnologias, o diretor do Sindicato dos Bancários de São Gabriel, Márcio Silva, destacou que a categoria vive um período de profundas transformações, impulsionadas pela modernização dos serviços bancários e pelas reestruturações promovidas pelas instituições financeiras. Diante desse cenário, defendeu a unidade dos sindicatos e dos trabalhadores: "A unidade da categoria continua sendo a principal ferramenta para garantir direitos e conquistar novos avanços".

Raquel Gil de Oliveira, diretora da Fetrafi-RS, apontou a necessidade de mobilização da classe trabalhadora diante das transformações tecnológicas e dos desafios políticos do país. Segundo ela, a tecnologia deve ser utilizada para melhorar a qualidade de vida, reduzir a jornada de trabalho e ampliar o tempo de descanso. “A tecnologia precisa estar a serviço dos trabalhadores, garantindo mais qualidade de vida e melhores condições de trabalho”, afirmou.

A dirigente também destacou a importância da soberania nacional e da ampliação da representação dos trabalhadores nos espaços de decisão política. Para Raquel, os desafios enfrentados pelos bancários fazem parte de uma luta mais ampla em defesa dos direitos sociais e trabalhistas. “Precisamos fortalecer a presença dos trabalhadores nos espaços institucionais para garantir avanços nos direitos e construir um projeto de desenvolvimento com soberania e participação democrática”, declarou.

Na mesma direção, o presidente do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região, Luciano Fetzner, lembrou que tecnologias como inteligência artificial e data centers ampliam significativamente a produtividade, mas os benefícios gerados por essas inovações não têm sido distribuídos de forma equilibrada. Segundo ele, enquanto os lucros aumentam, persistem problemas como desemprego, precarização e concentração de renda. "A campanha salarial precisa ser também um espaço de debate sobre quem se apropria da riqueza produzida pelo avanço tecnológico", defendeu.

 

  

 

Fim da escala 6x1

A aprovação do fim da escala 6x1 na Câmara foi um dos pontos altos de debate. Em sua fala, Cristiana Garbinatto, diretora da Fetrafi-RS, afirmou que a aprovação da proposta de fim da escala 6x1 na Câmara dos Deputados demonstra que pautas consideradas difíceis podem avançar quando existe organização e mobilização social. "Não podemos deixar de apresentar reivindicações porque os bancos dizem que não vão aceitar. Nenhuma conquista aconteceu dessa forma", ressaltou.

Cristiana ressaltou que os elevados lucros do sistema financeiro são produzidos pelo trabalho dos bancários e que a categoria precisa retomar a iniciativa política na defesa de pautas que ampliem direitos e valorizem os trabalhadores. Para ela, a conferência deve contribuir para a construção de uma posição unificada do Rio Grande do Sul a ser levada à etapa nacional da campanha. 

O presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci, também destacou a importância da mobilização que levou à aprovação da proposta na Câmara. Segundo ele, a conquista foi resultado de mais de dois anos de organização popular e envolveu trabalhadores de diferentes categorias. Apesar do avanço, alertou que a proposta ainda depende da aprovação do Senado, exigindo a continuidade da pressão social. 

 

Saúde mental e condições de trabalho

As condições de trabalho e seus impactos sobre a saúde dos bancários foram abordadas com destaque pelo diretor de Saúde da Contraf-CUT, Mauro Salles, para quem a campanha nacional deve ir muito além da discussão salarial, envolvendo também a defesa da carreira, da remuneração e da qualidade de vida dos trabalhadores. Segundo ele, atualmente a categoria enfrenta um cenário marcado por reestruturações constantes, fechamento de agências, redução de funções comissionadas e insegurança profissional. 

Salles chamou atenção para o crescimento dos casos de adoecimento mental, incluindo depressão, ansiedade, esgotamento profissional e síndrome de burnout. Na sua avaliação, a jornada de 6 horas permanece atual justamente porque foi concebida para proteger os trabalhadores dos impactos psicológicos da atividade bancária. Ele alertou ainda para a expansão do trabalho para além do expediente formal, com cobranças e metas que acompanham os bancários mesmo fora do ambiente de trabalho. "O adoecimento mental dos bancários é uma realidade cada vez mais presente e precisa estar no centro das negociações", disse ele.

 

    

 

Eleições e representação dos trabalhadores

A dimensão política da luta sindical permeou praticamente todas as intervenções. Diversos dirigentes defenderam a ampliação da representação dos trabalhadores nos espaços institucionais e alertaram para os impactos que as eleições podem ter sobre os direitos sociais e trabalhistas. 

Para o pré-candidato ao Senado Paulo Pimenta, as eleições de 2026 terão impacto decisivo para o futuro do País e da América Latina. Em sua fala, defendeu a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução salarial e pediu mobilização para garantir a aprovação definitiva do fim da escala 6x1. 

O deputado estadual Miguel Rossetto reforçou a defesa da redução da jornada de trabalho, criticou as altas taxas de juros e defendeu maior participação dos trabalhadores na discussão sobre o futuro de instituições públicas como Banrisul, BRDE e Badesul. Para o parlamentar, a atuação política dos trabalhadores será decisiva para a construção de um projeto de desenvolvimento voltado à inclusão social e ao fortalecimento da democracia. 

Ao final dos debates, prevaleceu o entendimento de que a campanha salarial dos bancários está inserida em uma discussão mais ampla sobre democracia, desenvolvimento econômico, tecnologia, direitos trabalhistas e participação política. No domingo, a conferência encerrou com a aprovação da pauta local, que será levada ao encontro Nacional.

 

  

Texto: Maricélia Pinheiro
Fotos: Leo Guterrez

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