Encontro discutiu o avanço do adoecimento bancário, avaliou o funcionamento do Canal de Denúncias e definiu pauta para a reunião nacional, que acontece na próxima semana.
Dirigentes sindicais de todo o estado reuniram-se na manhã desta quinta-feira (16/04), na sede da Fetrafi-RS, em Porto Alegre, o Coletivo de Saúde da federação reuniu dirigentes sindicais de diversas regiões do estado para discutir o avanço do adoecimento entre bancários, problemas nas perícias do INSS e o enfrentamento ao assédio moral nas instituições financeiras.
A reunião foi aberta pela diretora de Saúde da Fetrafi-RS, Raquel Gil de Oliveira, que destacou a proposta de descentralizar os encontros do coletivo, alternando os locais de realização para ampliar a participação de dirigentes sindicais de diferentes regiões. A iniciativa busca fortalecer o diálogo direto com as bases e ampliar a escuta sobre as condições de trabalho.
Entre os informes, a assistente social e assessora da Fetrafi-RS, Jaceia Netz, anunciou o lançamento, ainda em 2026, do Guia de Saúde do Trabalhador. Segundo ela, a proposta é percorrer todas as regionais para apresentar o material e dialogar com a categoria sobre prevenção e cuidados com a saúde.
Assédio e denúncias ganham centralidade
Relatos de diferentes regiões do estado apontaram o crescimento de casos de assédio moral. Em Santa Cruz, denúncias registradas no Canal de Denúncias da Fetrafi-RS resultaram na troca de um gestor do Bradesco. Já em Santa Rosa, o canal tem recebido um volume significativo de registros, incluindo um caso encaminhado ao Ministério Público após não haver solução interna no banco.
Dirigentes destacaram que a ferramenta tem incentivado trabalhadores a denunciarem situações de violência no ambiente de trabalho, especialmente pela possibilidade de anonimato.
Em Passo Fundo, houve aumento dos casos de assédio no Banco do Brasil após a divulgação de elevação da inadimplência no setor do agronegócio. Também foram apresentados relatos vindos de Lajeado e do Vale do Paranhana, reforçando que o problema está disseminado em diferentes regiões.
Aprimoramento do Canal e ações sindicais
O psicólogo e assessor da Fetrafi-RS, André Guerra, defendeu a profissionalização dos processos de denúncia para potencializar as ações sindicais. Ele também sugeriu a criação de uma campanha permanente de "Tolerância Zero ao Assédio", utilizando o canal como instrumento central de mobilização.
Na mesma linha, Marcelo Almeida, diretor da Alternativa Digital — empresa responsável pelo desenvolvimento do Canal de Denúncias — propôs a criação de protocolos para atendimentos presenciais, com posterior inserção dos dados no sistema, como forma de reduzir a subnotificação.
Raquel Gil avaliou que o canal já cumpre papel importante, mas destacou a necessidade de automatizar processos e reduzir burocracias para dar mais agilidade às respostas.
Desafios: romper o isolamento e enfrentar o adoecimento
Durante o debate, os participantes apontaram o chamado "assédio estrutural" como um dos principais desafios — um processo que parte das estruturas superiores das empresas e contribui para o isolamento e o adoecimento dos trabalhadores.
Entre as preocupações levantadas estão as mudanças no perfil da categoria, a dificuldade de reconhecer o adoecimento e a resistência em buscar ajuda. Para os dirigentes, é fundamental retomar o contato direto com os bancários nos locais de trabalho, fortalecendo vínculos de confiança.
Raquel Gil reforçou que as demandas da categoria vão além das questões salariais. "O bancário não quer só aumento salarial. Quer saúde, quer paz", resaltou, destacando a importância de proximidade e escuta ativa para enfrentar o problema.
Rede de apoio e próximos passos
Aproveitando a oportunidade, Jaceia Netz convidou a todos e a todas presentes para o seminário que será realizado no dia 7 de maio, em Florianópolis, com foco no adoecimento dos dirigentes sindicais diante das dificuldades de atender às demandas da categoria. A iniciativa também prevê a construção de uma rede de proteção e apoio entre os representantes dos trabalhadores.
Ao final do encontro, o grupo deliberou pelo envio de relatos por escrito à Fetrafi-RS para subsidiar a Reunião Nacional do Coletivo de Saúde e a definição de pautas prioritárias, com foco especial nas condições de trabalho no Banco do Brasil.
A reunião reforçou a necessidade de ampliar a organização sindical no tema da saúde, fortalecer os instrumentos de denúncia e avançar no enfrentamento ao assédio e ao adoecimento no sistema financeiro.



Fonte: Assessoria de Comunicação da Fetrafi-RS