Atenção! O Portal dos Bancários RS utiliza cookies neste site, eles são utilizados para melhorar a sua experiência de uso e estatísticos.

Santander | 14/05/2026
Fechamento de agências e sobrecarga de trabalho dominam reunião entre COE Santander e direção do banco

Representação dos trabalhadores cobra revisão da política de redução da rede física, critica metas atreladas ao NPS e alerta para riscos de retirada de direitos em novos contratos.

A Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander se reuniu, na manhã desta quarta-feira (13/05), na sede da Contraf-CUT, em São Paulo, com a direção do banco para discutir novamente os impactos do fechamento acelerado de agências e o aumento da sobrecarga enfrentada pelos bancários.

A reunião ocorreu em um contexto de intensificação das críticas dos trabalhadores à política de enxugamento da rede física e às mudanças nos modelos de gestão adotados pelo banco, que, segundo representantes sindicais, têm ampliado a pressão sobre os empregados e dificultado o atendimento à população. “O debate entre a COE Santander e a direção do banco tratou de temas que afetam diretamente os trabalhadores, como fechamento de agências, redução de postos, sobrecarga, pressão por metas e modelos como a hipersuficiência e o ‘Conduta Certa’. Essas medidas aumentam a insegurança e o adoecimento da categoria”, afirmou Luiz Cassemiro, diretor do SindBancários.

Ele destacou ainda que “um avanço importante foi o compromisso do banco em suspender, até uma análise jurídica mais aprofundada, a aplicação dos acordos de hipersuficiência, pauta que vinha gerando grande preocupação entre trabalhadores e movimento sindical”. “Como representante dos trabalhadores do Santander no Rio Grande do Sul e diretor do SindBancários, defendemos que o banco reveja a política de enxugamento de estrutura e de fragilização de direitos. Não é aceitável que, mesmo com lucros bilionários, os trabalhadores sigam enfrentando falta de pessoal e condições cada vez mais difíceis de trabalho”, concluiu o dirigente sindical.

Logo na abertura da reunião, os representantes dos trabalhadores afirmaram que a rede física já opera no limite e não comporta novos cortes. Relatos apresentados indicam que regiões antes atendidas por várias unidades passaram a contar com apenas uma agência, concentrando milhares de clientes, ampliando filas e elevando a pressão sobre os empregados.

A coordenadora da COE Santander, Ana Marta Lima, afirmou que a situação atingiu nível crítico. “O fechamento de agências está impactando trabalhadores e clientes. Há casos de longas filas de espera para serviços essenciais”, destacou ao lembrar que os efeitos atingem principalmente idosos, moradores de periferias, áreas rurais e a população de baixa renda, mais dependentes do atendimento presencial.

Ana Marta também apontou impactos diretos nas avaliações de desempenho. “Mesmo quando o atendimento é adequado, as longas filas influenciam negativamente o NPS, indicador utilizado pelo banco para medir a satisfação do cliente, contribuindo para o adoecimento da categoria, que já registra índice de afastamentos pelo INSS três vezes superior à média nacional”, disse.
 
Fechamentos avançam rapidamente

As demonstrações financeiras do próprio banco indicam o encerramento de 575 unidades entre agências e pontos de atendimento em 2025 (26%). No primeiro trimestre de 2026, foram fechadas 63 unidades.

Desde 2019, o Santander encerrou 2.018 postos de atendimento, sendo 1.460 agências. Atualmente, restam 868 agências e 754 PABs, segundo dados do banco.

Para a secretária de Relações Internacionais da Contraf-CUT, Rita Berlofa, há uma contradição na estratégia do banco. “O Santander diz que acredita nas agências físicas, mas afirma que poderá fechá-las sempre que considerar necessário”, criticou.

Os sindicatos alertaram ainda para uma mudança estrutural no sistema financeiro. Entre 2016 e 2025, o país perdeu 7.593 agências bancárias (34%), enquanto cooperativas de crédito ampliaram presença ao ocupar espaços deixados pelos grandes bancos. “Isso mostra que os clientes ainda querem atendimento presencial”, completou Rita.

Impactos sociais e condições de trabalho

Na avaliação da COE, a estratégia aprofunda a exclusão financeira em regiões onde o acesso digital ainda é limitado e intensifica a pressão psicológica sobre os bancários.

A representação dos trabalhadores cobrou a revisão da política de fechamento de unidades, a recomposição do quadro funcional e melhores condições de atendimento à população.
 
Metas, NPS e Programa Conduta Certa entram na pauta

O modelo de gestão também foi alvo de críticas. Dirigentes sindicais cobraram transparência sobre o Programa Conduta Certa. O banco informou que fará uma apresentação específica sobre o tema no próximo dia 20.

Segundo a representação dos empregados, mudanças vêm sendo implementadas sem diálogo prévio, deixando trabalhadores expostos a avaliações consideradas punitivas.

O uso do NPS também foi questionado, já que o indicador pode impactar diretamente a remuneração variável. Os sindicatos reivindicaram que o índice não seja utilizado para esse fim.
 
Contrato para "hipersuficientes" preocupa trabalhadores

Outro ponto discutido foi o envio de um comunicado de “Atualização do Contrato de Trabalho” a empregados classificados pelo banco como “hipersuficientes”, com remuneração superior a dois tetos do Regime Geral de Previdência Social e diploma de nível superior. “Insistimos para que esses acordos sejam anulados e não voltem a existir, pois contrariam o que foi pactuado entre a Fenaban e o Comando Nacional dos Bancários, que prevê a não utilização da lei que permite acordos individuais. Hoje o banco descumpre esse compromisso e, no futuro, qual outro deixará de cumprir? Isso gera muita insegurança para todos os trabalhadores”, alertou Rita Berlofa.

Ana Marta Lima reforçou a orientação da COE. “Os trabalhadores não devem assinar o termo e devem denunciar ao sindicato qualquer tipo de pressão. O documento pode abrir precedentes perigosos para a retirada de direitos”, afirmou.

O banco se comprometeu a suspender a aplicação desses acordos até a conclusão de uma análise jurídica sobre o processo.


Fonte: Contraf-CUT, com edição da Fetrafi-RS

OUTRAS MATÉRIAS
Campanha Nacional | 08/07/2026
Categoria inicia Campanha Nacional 2026 com mobilização em todo o Rio Grande do Sul
Bancários e bancárias realizaram ato político na capital e atividades em diversas regiões do estado para reforçar a unidade em defesa do emprego, dos direitos e da valorização da categoria
Itaú | 08/07/2026
Após mais de um ano de cobrança, Itaú segue sem negociar e mantém aposentados reféns de plano de saúde com custos abusivos
Após mais de um ano de cobrança, Itaú segue sem negociar e mantém aposentados reféns de plano de saúde com custos abusivos
Campanha Nacional | 08/07/2026
Comando Nacional exige suspensão das demissões e do fechamento de agências
Com base em dados oficiais, categoria aponta que demissões em massa no setor não são resultados de falta de capacidade financeira, mas de estratégia empresarial para aumentar lucro.