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#BRADESCO | 06/02/2026
Bradesco lucra R$ 24,6 bilhões em 2025, mas fecha quase 2 mil postos e reduz rede de atendimento

Mesmo com crescimento da rentabilidade e da carteira de crédito, banco corta empregos e encerra agências.

O Banco Bradesco encerrou 2025 com lucro líquido recorrente de R$ 24,652 bilhões, alta de 26,1% em relação a 2024, conforme os Destaques das Demonstrações Financeiras do Banco Bradesco – Exercício de 2025. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) atingiu 14,8%, com crescimento de 3,1 pontos percentuais em 12 meses, impulsionado principalmente pelo avanço das margens financeiras, das receitas com serviços e da carteira de crédito.

Apesar do resultado expressivo, o banco fechou 1.927 postos de trabalho em 12 meses, sendo 2.092 cortes entre bancários, além de promover o encerramento de 296 agências, 1.098 postos de atendimento (PA e PAE) e 4 unidades de negócios no período.

Para Erica de Oliveira, coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Bradesco, os números evidenciam uma contradição entre os lucros bilionários e a política de enxugamento da estrutura e do quadro de pessoal. “Os dados mostram que o Bradesco cresce, lucra e amplia suas receitas, mas continua fechando postos de trabalho e agências. Essa estratégia prioriza o resultado financeiro às custas dos trabalhadores, da qualidade do atendimento e do papel social do banco”, critica Erica.

O representante do RS na COE Bradesco, Everton Gimenis, destacou que, de acordo com Programa de Resultados do Bradesco (PRB), o banco deve pagar o valor de R$ 1.000 aos trabalhadores e às trabalhadoras, caso o ROAE atinja 15,5%.

"Nos últimos anos, o Bradesco apresentou um crescimento expressivo de sua rentabilidade. Essa recuperação do resultado é fruto direto do esforço coletivo de seus funcionários, que, inclusive, passaram a enfrentar uma sobrecarga significativa de trabalho após a demissão de milhares de colegas no último período", lembrou o sindicalista.

Como fruto desse esforço, o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) atingiu 14,8%, representando um crescimento de 3,1 pontos percentuais em apenas 12 meses, ficando muito próximo da meta de 15,5% estabelecida no PRB. "Diante desse cenário, a Contraf-CUT, que representa os sindicatos e federações da categoria bancária, já encaminhou um ofício ao Bradesco reivindicando o pagamento do PRB a todos os funcionários, bem como a abertura de uma mesa de negociação para tratar do tema com as representações dos trabalhadores", informou Gimenis.

Receitas em alta e expansão do crédito

A Carteira de Crédito Expandida do Bradesco cresceu 11% em 12 meses, alcançando R$ 1,089 trilhão em dezembro de 2025. O segmento de pessoa física avançou 12,7%, totalizando R$ 466,5 bilhões, com destaque para:

CDC/Leasing de Veículos (+18,0%)
Cartão de crédito (+10,5%)
Crédito imobiliário (+9,7%)

Já a carteira de pessoa jurídica somou R$ 622,7 bilhões, alta de 9,7%, com forte crescimento entre micro, pequenas e médias empresas (+21,3%).

As receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias chegaram a R$ 31,2 bilhões, crescimento de 5,1% em 12 meses. As despesas de pessoal, incluindo a PLR, totalizaram quase R$ 26,5 bilhões, aumento de 8,8%, sendo mais do que cobertas pelas receitas secundárias do banco (117,6%).

Mais clientes, menos trabalhadores

Mesmo com a redução do quadro, a base de clientes do Bradesco cresceu em 1,4 milhão, alcançando 110,5 milhões de clientes. Ao final de 2025, a holding contava com 82.095 funcionários, sendo 70.550 bancários — um cenário que indica mais clientes por trabalhador, maior pressão por metas e intensificação da sobrecarga. “O banco fala em otimização de custos, mas o que vemos na prática é menos funcionários para atender mais clientes, metas abusivas e aumento do adoecimento. Esse modelo de gestão não é sustentável”, alerta Erica.

Fechamento de agências prejudica população

O encerramento de centenas de agências e postos de atendimento impacta diretamente a população, especialmente idosos, pessoas de baixa renda e moradores de regiões periféricas ou cidades menores, que dependem do atendimento presencial. “A transformação digital não pode servir de desculpa para desmontar o atendimento e excluir parte da população. O Bradesco tem lucro suficiente para investir em tecnologia sem eliminar empregos nem precarizar o serviço”, afirma Erica.

Movimento sindical cobra responsabilidade social

A Contraf-CUT e o movimento sindical defendem que os lucros bilionários do sistema financeiro sejam acompanhados de responsabilidade social, valorização dos trabalhadores, manutenção de empregos e ampliação do atendimento à sociedade. “Se o banco apresenta resultados tão expressivos, o mínimo esperado é que invista em pessoas e cumpra seu papel social. Lucro não pode continuar significando demissão e fechamento de agências”, conclui Erica de Oliveira.

A Contraf-CUT enviou um ofício ao banco, na segunda-feira (02/02), para reivindicar a antecipação do pagamento da PLR. Até o momento não obteve resposta.


Fonte: Contraf-CUT

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