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Diversidade | 16/06/2026
“Clima de Orgulho” reforça importância de articular lutas por justiça climática, diversidade e defesa dos territórios

Nem a chuva da noite da última sexta-feira (12/6) atrapalhou o “Clima de Orgulho” que tomou conta da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O debate com a ativista indígena guarani Geni Núñez, uma das principais referências nas discussões sobre colonialidade, gênero e não monogamia, reuniu dezenas de pessoas no Salão de Atos II.

Promovida pelo SindBancários e pelo Coletivo Casca Socioambiental, a segunda edição do evento político-cultural propôs uma reflexão sobre as conexões entre as lutas por justiça climática, diversidade e defesa dos territórios. 

A atividade partiu da compreensão de que as violências contra corpos dissidentes, a destruição ambiental e a exploração territorial têm origem nas mesmas estruturas históricas de dominação.

A mediação foi realizada por Li Rassier, integrante da Casca Socioambiental e do Coletivo Pró-Catador, além de militante do Movimento Nacional dos Catadores e das Catadoras de Materiais Recicláveis (MNCR).


Lutas conectadas

A diretora de Cultura e Sustentabilidade do SindBancários e integrante da Casca, Ana Berni Helebrandt, fez a abertura do evento. “É uma alegria imensa estar recebendo vocês nesta segunda edição do Clima de Orgulho, construído coletivamente pelo SindBancários e pela Casca, a partir da convicção de que as lutas têm que caminhar juntas”, afirmou.

Segundo ela, a proposta do projeto é articular diferentes frentes de mobilização social, aproximando especialmente as pautas ambiental e LGBTQIAPN+. “Entendemos que não existe movimento am

biental sem movimento social, assim como não existe movimento social sem compromisso com a defesa da vida e dos territórios, pois são faces da mesma luta”, destacou.

A diretora ressaltou ainda que o agravamento da crise climática, o aumento das desigualdades, a violência contra as diversidades, a precarização do trabalho e a fragilização dos vínculos comunitários não são fenômenos isolados, mas expressões de uma mesma lógica que organiza a sociedade e distribui de forma desigual os impactos sobre pessoas e territórios.

Reflorestar o pensamento

Autora dos livros “Descolonizando Afetos”, “Jaxy Jaterê” (infantil) e “Felizes por Enquanto”, Geni Núñez ponderou sobre a ideia de “reflorestar o pensamento”, questionando estruturas coloniais, patriarcais e binárias que sustentam tanto a exploração ambiental quanto as diversas formas de violência voltadas a corpos dissidentes. Conforme a psicóloga, a mesma lógica que destrói a biodiversidade também busca impor formas de amar e viver.

“Uma monocultura fortalece a outra, pois a mesma monocultura que violenta a diversidade da terra também se expressa numa imposição de uma única religião, uma única maneira de vivenciar a sexualidade, uma única maneira de existir”, enfatizou.

Para Geni, diferentes grupos sociais são afetados por essa lógica, ainda que vivenciem opressões distintas. Por isso, fortalecer a diversidade em todas as suas formas é também fortalecer as possibilidades de resistência.

Crise climática e desigualdade

Dentro da pauta ambiental, a ativista refletiu sobre 

a necessidade de compreender que os efeitos dos desastres climáticos não são apenas consequências de fenômenos naturais, mas também resultado de uma precariedade política.

“Nós vivemos isso no trauma da pandemia, quando uma série de violências aconteceram, que não eram decorrência apenas de algo biológico, mas de uma omissão política, de uma falta de amparo, especialmente às comunidades mais vulneráveis”, relembrou.

De acordo com Geni, embora exista uma vulnerabilidade inerente à condição humana, há também uma precarização imposta politicamente que aumenta muito o alcance e a gravidade desses eventos climáticos. 

Mulheres são as mais afetadas

Ainda sobre desastres ambientais, Geni ressaltou que as mulheres, especialmente não brancas, trabalhadoras e precarizadas, costumam ser as mais atingidas.

Segundo ela, isso está diretamente relacionado à desi

gual distribuição do trabalho de cuidado na sociedade, que faz com que esse impacto seja mais severo para esse grupo.

“Enquanto não houver uma coletivização, uma redistribuição desse cuidado, a mesma terra que está exaurida da exploração também é a terra do nosso corpo-território que está esgotado desse tanto de acumulação de trabalho”, pontuou.

Descolonizar para transformar

Outro tema abordado foi a relação entre a descolonização dos afetos e a construção de respostas coletivas na busca por justiça climática. Geni destacou que as relações humanas não podem ser separadas das relações estabelecidas com os territórios, os rios, as florestas e os bens comuns.

“É necessário que haja condições materiais e concretas de existência, com direito à água, à alimentação, ao descanso e à moradia, para que seja possível descolonizar os afetos”, defendeu.

A pesquisadora também apontou que a lógica da posse, presente na exploração da natureza, é a mesma que se manifesta em diversas formas de violência, como contra mulheres e LGBTs.

Para Geni, a articulação entre os diferentes movimentos é essencial para enfrentar os desafios atuais. “Tudo o que nossos povos e comunidades conquistaram até hoje foi pela luta coletiva e ela segue sendo perigosa para os interesses da elite, do capital, do colonialismo, do imperialismo. Precisamos nos juntar cada vez mais, pois temos muitas semelhanças dentro das diferenças que nos conectam”, destacou.

SindBancários reforça compromisso com a diversidade

O diretor de Diversidade e Combate ao Racismo do SindBancários, Sandro Rodrigues, apresentou as ações desenvolvidas pela entidade em defesa da inclusão e do respeito à diversidade na categoria. “Construímos políticas de ações afirmativas nos bancos e também buscamos combater a perseguição, o bullying, o assédio moral e sexual”, explicou.

Ele destacou que o movimento sindical já conquistou importantes garantias por meio da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e que a luta segue para consolidar avanços no combate à discriminação, fortalecimento das políticas de diversidade, reconhecimento da identidade de gênero e da orientação sexual nos ambientes de trabalho, além da ampliação dos direitos das famílias plurais.

O dirigente também lembrou a atuação do Sindicato no último concurso do Banrisul, que garantiu a reserva de vagas para pessoas trans, indígenas e negras.

A segunda edição do “Clima de Orgulho” contou com o apoio do Movimento Nacional dos Catadores e das Catadoras de Materiais Recicláveis (MNCR) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Jornalista/Fonte

Imprensa SindBancários

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