Dirigentes sindicais e trabalhadores do Bradesco participaram, na noite de ontem (15), de uma plenária sobre a Campanha Nacional dos Bancários. O encontro reuniu relatos sobre as condições de trabalho nas agências, os desafios de organização sindical diante da renovação do quadro funcional e a preocupação crescente com metas abusivas e falta de estrutura nas unidades.
Durante o debate, os participantes destacaram a importância da aproximação do sindicato com os bancários mais novos. Segundo os dirigentes, muitos colegas ingressaram recentemente no banco e ainda não conhecem o papel da entidade sindical. “A gente está fazendo essa volta nas agências justamente para saber onde as pessoas estão, porque houve muita mudança de local e muita circulação de funcionários. Também é uma forma de apresentar o sindicato e construir confiança com quem entrou agora no banco”, destacou o dirigente do SindBancários, Luís Soares.
O representante da Comissão de Organização dos Empregados do Bradesco (COE), Edson da Rocha destacou que a plenária também teve como objetivo fortalecer a organização dos trabalhadores dentro das agências. Segundo ele, muitos bancários ingressaram recentemente no Bradesco e ainda estão vivenciando a primeira Campanha Nacional da categoria. “Essa plenária foi importante justamente para ouvir quem está na linha de frente e construir organização coletiva. Temos muitos colegas novos no banco, vivendo a primeira Campanha Nacional dos Bancários, e é fundamental aproximar o sindicato desses trabalhadores, mostrar que eles não estão sozinhos e que a mobilização coletiva continua sendo o principal instrumento de defesa da categoria”, afirmou dirigente sindical.
A plenária apontou que boa parte dos novos funcionários vive sua primeira campanha nacional da categoria. Para os dirigentes, o diálogo é essencial diante de uma realidade em que as mobilizações e greves enfrentam cada vez mais dificuldades.
Além da discussão sobre a campanha salarial, os relatos dos trabalhadores evidenciaram o agravamento das condições de trabalho nas agências do Bradesco. Entre as principais reclamações estão a sobrecarga de trabalho, o número reduzido de funcionários, problemas ergonômicos e a pressão constante pelo cumprimento de metas. “Hoje a maior queixa é condição de trabalho. Falta estrutura física, falta funcionário e sobra pressão”, resumiu a sindicalista Rosecler de Carvalho.
Os relatos mostraram situações de adoecimento físico e mental causadas pela rotina intensa nas unidades. Trabalhadores citaram casos de bursite, tendinite e síndrome do túnel do carpo relacionados ao excesso de tempo em pé e à falta de revezamento nos setores de autoatendimento.
Rosecler lembrou que precisou se afastar por dores intensas após trabalhar sob forte demanda e sem apoio suficiente nas equipes. Segundo ela, a realidade é de agências lotadas, aumento da procura por serviços e poucos empregados para atender a população. “O banco quer todo mundo no autoatendimento, mas não oferece estrutura para isso. Falta gente e sobra cobrança”, concluiu.
Outro ponto debatido foi a pressão por produtividade nas áreas comerciais. Segundo os trabalhadores, mesmo diante da sobrecarga nas agências, os funcionários da área de negócios não são deslocados para auxiliar no atendimento, já que também sofrem forte cobrança por metas.
A plenária reforçou a necessidade de fortalecer a organização dos trabalhadores nas agências e ampliar a sindicalização dos novos bancários como forma de enfrentar os problemas denunciados e construir a mobilização da categoria para a Campanha Nacional dos Bancários.
Jornalista/Fonte
Dijair Brilhantes / SindBancários